sábado, novembro 25, 2017

Fim da neutralidade de rede nos EUA ameaça a colônia O sistema de poder antinacional e antipopular instalado no Brasil desde o golpe não se cansa de combater o Marco Civil da Internet e faz vista grossa à violação constante da neutralidade de rede que ele obriga. A decisão americana pode ser a vitamina que ele precisa, para destruir mais esse direito do povo brasileiro.



A má notícia sobre a mídia, nesta semana, vem do exterior.
Não se trata da enézima matéria de jornal estrangeiro detonando a imagem do Brasil, ao meramente reportar com honestidade o que acontece por aqui, como fez o diário francês Libération.
Trata-se de notícia que afeta o futuro da própria mídia em todo o planeta, uma vez que ela procede do centro do Império.
Os Estados Unidos estão a menos de um mês de acabarem com a chamada “neutralidade de rede” na internet – a proibição de que os provedores de serviço bloqueiem ou desacelerem a velocidade de conexão, conforme o preço pago pelo usuário, ou pelo site que ele está visitando.
Estão em risco o acesso igualitário à Internet e também a liberdade de expressão, porque os provedores poderão arbitrar que conteúdos terão maior ou menor acesso, simplesmente controlando a sua velocidade de transmissão.
O presidente do Comitê Federal de Comunicações, a ANATEL de lá, anunciou que o fim da neutralidade de rede será votado em 14 de dezembro.
Como o órgão tem maioria republicana e a proposta é do Governo Trump, a aprovação é dada como certa, embora já desperte reações e a política progressista já opere contra ela.
Derrubada lá, a neutralidade de rede fica imediatamente ameaçada aqui.
“O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”, diz a velha máxima colonialista cunhada em 1964 pelo embaixador Juracy Magalhães, num arroubo de subserviência.
Essa mentalidade governa o país desde abril de 2016 e é certo que ela cuidará de ajustar este quintal dos Estados Unidos ao que decidirem os donos da casa.
Além de pagar mais para assistir vídeos no You Tube ou Netflix, por exemplo, os usuários de internet vão penar para acessar sites que os provedores tornarem mais lentos, a seu critério.
Não é difícil intuir como isso ameaça toda a mídia independente, refugiada no mundo digital, com o derretimento econômico dos suportes tradicionais.
O sistema de poder antinacional e antipopular instalado no Brasil desde o golpe não se cansa de combater o Marco Civil da Internet e faz vista grossa à violação constante da neutralidade de rede que ele obriga.
A decisão americana pode ser a vitamina que ele precisa, para destruir mais esse direito do povo brasileiro.

terça-feira, novembro 14, 2017

LULA E O PT SÃO UM LUXO PARA O BRASIL

Da Alemanha, numa entrevista à agência de notícias Deutsche Welle – com a imprensa brasileira não tem entrevista, só tem fofoca apelativa – a ex-presidente”É…
TIJOLACO.COM.BR

A Eletrobras, ao contrário, é um gigante. É dona de Furnas, é dona de Itaipu, é sócia de Belo Monte, é dona das usinas nucleares. É dona de concessões que se estendem por décadas. É, simplesmente, a maior empresa de energia elétrica da América do Sul. com uma rede de transmissão de alta tensão capaz que soma “apenas” uma vez e meia a volta ao mundo. É dona de usinas que geram um terço de toda a energia elétrica do Brasil...

Eletrobras: o apagão de informações para você não ver quem leva tudo

A privatização da Eletrobras – que o Luís  Nassif definiu, com razão, como “a maior tacada da história” privatista, começa pela guerra da informação.
A companhia contratou uma agência – a FSB, aquela que se viu enrolada na delação do marqueteiro Renato Pereira como repassadora de dinheiro a Eduardo Paes – para “vender a venda” de uma empresa que os brasileiros não fazem ideia do tamanho que tem.
Porque a imprensa, bem cevada pelos privatistas, apresenta-a como um elefante branco, falida, “caindo aos pedaços”.Um caco velho.
A Eletrobras, ao contrário, é um gigante. É dona de Furnas, é dona de Itaipu, é sócia de Belo Monte, é dona das usinas nucleares. É dona de concessões que se estendem por décadas.
É, simplesmente, a maior empresa de energia elétrica da América do Sul. com uma rede de transmissão  de alta tensão capaz que soma “apenas” uma vez e meia a volta ao mundo. É dona de usinas que geram um terço de toda a energia elétrica do Brasil, e de uma rede de distribuição que alcança um terço do território nacional (justamente o menos denso populacionalmente e, por isso, menos rentável, embora atenda quase sete milhões de famílias e empresas).
É tão importante que, ao lado da Petrobras, esteve na Carta Testamento de Vargas, ao matar-se – “A Eletrobras foi obstaculada até o desespero” – e explora um recurso público: a água e, mais recentemente, também o vento, com as usinas eólicas.
Vende um produto que ninguém pode parar de comprar: energia.
Pare e pense o caro leitor e a querida leitora qual foi a usina elétrica construída exclusivamente pelas empresas privadas – e multinacionais  – que compraram parte do sistema elétrico com Fernando Henrique Cardoso. Quase nada, não é, pois onde entraram foi com a sociedade da Eletrobras (ou da Chesf) e financiamento barato do BNDES, dinheiro estatal, portanto.
A privatização da Eletrobras é um retrocesso de 50 anos, ao tempo em que, criança, aprendíamos a marchinha de gozação feita por Vitor Simon e Fernando Martins em 1954: “Rio de Janeiro/Cidade que nos seduz/De dia falta água/De noite falta luz.
Nestes tempos, também, o “apagou a luz” era a senha para cada guri pegar quantas bolinhas de gude pudesse e “se mandar”.
É por isso que precisam manter as pessoas no escuro, para que não vejam o crime de lesa-pátria, o desvio de bilhões de reais que estão por perpetrar.
Não se deve saber que há gente graúda nesta história, como o  banqueiro José João Abdalla Filho, o “Juca Abdalla”,  dono do Banco Clássico. Nem Jorge Paulo Lehman, o dono da cerveja nacional com suas Ambev  e Inbev, que detém o controle – mesmo em minoria, como é na Eletrobras, de todos os negócios onde põe as mãos.
Isso não deve vir ao caso.
É preciso manter a atenção nos pedalinhos .

terça-feira, novembro 07, 2017

Aliança do PT é com o povo brasileiro

Em nota assinada pela presidenta Gleisi Hoffmann, PT critica deturpação da mídia de fala do ex-presidente Lula no encerramento da caravana Lula Pelo Brasil

 06/11/2017 18h33

Ricardo Stuckert

Lula visita o campus de Salinas do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais
A presidenta nacional do Partido dos Trabalhadores, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), assina nota oficial do PT, nesta segunda-feira (6), reafirmando que a aliança do PT para as eleições de 2018 é com o povo brasileiro.
A nota é em resposta a deturpação da imprensa de uma fala do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silvadurante o encerramento da caravana Lula Pelo Brasil em Minas Gerais.
“O PT tem sua aliança política com o povo brasileiro, suas lutas e conquistas. A aliança eleitoral para eleger Lula em 2018 está sendo construída com setores progressistas da sociedade e com a centro esquerda, baseada na reconstrução do Estado brasileiro e na revogação dos retrocessos implementados por esse governo golpista”, afirma o documento.
Leia a nota na íntegra:
Aliança do PT é com o povo brasileiro
Setores da imprensa têm deturpado uma fala do presidente Lula no ato de encerramento da caravana Lula Pelo Brasil em Belo Horizonte, em 30 de outubro. Longe de “perdoar” os partidos golpistas, Lula dirigiu-se à parcela da sociedade que apoiou o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff e hoje percebe que foi enganada.
O PT tem sua aliança política com o povo brasileiro, suas lutas e conquistas. A aliança eleitoral para eleger Lula em 2018 está sendo construída com setores progressistas da sociedade e com a centro esquerda, baseada na reconstrução do Estado brasileiro e na revogação dos retrocessos implementados por esse governo golpista.
Aqueles que defendem a o desmonte da Legislação Trabalhista, a Emenda Constitucional 95, a entrega daPetrobras e do Pré-Sal, a privatização da Eletrobrás, o fim das aposentadorias e a volta do trabalho escravo não cabem nesse projeto nacional.
A direção do PT mantém sua agenda de diálogo com os partidos de centro esquerda, em torno da candidatura Lula, mas são totalmente falsas quaisquer notícias sobre negociações com partidos que apoiaram o golpe. A estratégia do PT para as eleições gerais de 2018 será definida democraticamente nas instâncias partidárias, como é da nossa tradição. Este processo contemplará naturalmente as diversas realidades políticas regionais, mas as alianças se pautarão num projeto para o Brasil.
Gleisi Hoffmann
Presidenta nacional do PT

segunda-feira, novembro 06, 2017

DEPOIS DO GOLPE, A GUERRA?! Não. VAMOS PARA A DISPUTA ELEITORAL, SEM MAIS FRAUDES

Recebi alguns comentários a meus artigos que identificavam o momento político que vivemos ao da Alemanha dos anos 1920, quando o nazismo foi sendo construído e se empoderando.

A história é única; num momento civilizatório e em determinado lugar. Mas o apetite capitalista pelo lucro, pela expansão imperialista, pela apropriação de bens é permanente. O que podemos tirar, como “lição da história”, como reflexão sobre um acontecimento é a resultante do conjunto de forças, como vetores em diferentes direções, que acarretou tal desfecho.

Transcrevo, pela expressividade, rigor histórico e construção literária, na tradução da professora Isabel Loureiro, um trecho de “A crise da social-democracia”, de Rosa Luxemburg (in Gesammelte Werke, Dietz Verlag, Berlin, 1987):

“A marcha de seis semanas sobre Paris transformou-se num drama mundial; o imenso massacre tornou-se um negócio quotidiano, de uma cansativa monotonia, sem qualquer solução à vista. A política burguesa está paralisada, presa na sua própria armadilha e já não pode exorcizar os espíritos que invocou.

A carne para canhão, embarcada em agosto e setembro repleta de patriotismo, apodrece agora na Bélgica, nos Vosges, na Masúria, em cemitérios onde o lucro cresce vigorosamente. Trata-se de guardar rapidamente a colheita. Sobre esse oceano, milhares de mãos se estendem, ávidas para arrancar a sua parte.

Os negócios prosperam sobre ruínas. Cidades transformam-se em montes de escombros, aldeias em cemitérios, regiões inteiras em desertos, populações em tropas de mendigos, igrejas em estábulos” (escrito na prisão e publicado na Suíça em 1916).
Ouso acrescentar: toda esta desgraça da I Grande Guerra gerou enormes lucros, aumentou fortunas e fortaleceu o poder dos ricos. Os resultados da Krupp, Thyssen, Stinnes estão aí para comprovar.

Avaliemos a situação e as forças da época.

A Alemanha Imperial, da unificação sob Bismarck, era o “Império Evangélico de Nação Alemã”. Guilherme I era não apenas um Imperador mas um “summus episcopus”. Como expõe Isabel Loureiro (A Revolução Alemã, Editora UNESP, SP. 1ª edição, 5ª reimpressão, 2017): “quando o edifício institucional da monarquia desmoronou no final de 1918, os protestantes (mas também a alta hierarquia da Igreja Católica) enveredaram por um caminho nacionalista e reacionário, em clara hostilidade à República”, de Weimar (1919/1933).

Temos, então, um quadro do poder, conservador mas nacionalista, na cúpula governamental e na elite dirigente alemã. Muito longe do que vemos no Brasil de hoje. A única variável que poderíamos identificar é a participação religiosa neopentecostal, dos partidos das “Igrejas da Caixinha”, na irônica referência de Gregório Duvivier (Greg News, 28/07/2017).

Formamos um modelo do atraso generalizado e, na forma comum destes mais de 500 anos, colonizado. Se acreditássemos viver numa efetiva democracia, poderíamos dizer que a submissão colonial é o mais popular desejo dos brasileiros. Mas sabemos que as eleições são, na imensa maioria, fruto de manipulação midiática, do dinheiro nacional e estrangeiro, como dos IPES e IBADES de 1962, e similarmente repetidos em 2014.
Poderíamos então, no modelo do império alemão, entender que estamos no argentário e fundamentalista sistema colonizado de hipocrisia republicana.

Agora que, com o auxílio da História, pudemos entender nosso presente, busquemos os objetivos.

Na Alemanha, conforme o grande estudioso do processo civilizatório, Norbert Elias (Os Alemães, Zahar, RJ, 1997), encontrávamos uma sociedade “afinada com um forte governo de cima para baixo, com pouquíssima participação de todos os governados”. Além de inteiramente oposta a mudança, não admitia a mínima participação popular e feminina, como uma verdadeira sociedade estamental. Veja, assim, os juízes e representantes da sociedade, exercendo suas atividades sem remuneração, limitando a aplicação da justiça e a elaboração normativa ao arbítrio e interesse de classe, dos ricos, dos rentistas daquela Alemanha Imperial.

Um ridículo nos cobre, um país mestiço e pobre, com parcela reduzidíssima de ricos, mas igualmente mestiços – aí estão os Cardoso, pela própria boca, e, igualmente, os Marinho, os Neves e tantos outros destes dirigentes “com um pé na cozinha” – buscando macaquear europeus ou seus descendentes estadunidenses, conseguindo apenas a permanente desmoralização nacional, agora potencializada pela “quadrilha dirigente”.

Fico pensando nestes adeptos dos bolsonaros, crivellas, dorias e seus similares; terão entendimento de sua ignorância, de sua autoflagelação, da fonte dos males que tanto reclamam? Não vêem que se prestam ao papel de massa de manobra dos interesses estrangeiros colonizadores e de serem seus capitães do mato locais?

Mais uma vez, vendo a escola pública – onde fiz meu primário nos anos 1949/1953, na Capital da República, e aprendi que “o Brasil era um país essencialmente agrícola”, que “no Império havia ordem e progresso”, o “grande inimigo do país, de homens católicos e ordeiros, era o comunismo ateu” e outras debilidades – hoje considerada modelo, pergunto, sem precisar discutir a didática colonizadora, a quantos servia aquela doutrinação? 10%, 15% da população?

E o que acontecia com a quase totalidade dos brasileiros? Formaria a massa contribuinte das caixinhas neopentecostais, dos patos bate panelas, dos que não conseguem se olhar no espelho sem ódio? E, assim, preparados para assassinarem seus irmãos?
Transcrevo de Isabel Loureiro, na obra citada:

“Não por acaso, os estudiosos da época (Alemanha Imperial) são unânimes ao apontar no alemão médio traços da submissão e servilismo em relação aos de cima, compensados pela agressividade com os de baixo. É com essa matéria-prima psíquica que será moldada mais tarde a massa amorfa dos “pequenos nazistas”.
Para o Brasil, no recente livro de nosso maior sociólogo, Jessé Souza (A Elite do Atraso - da escravidão à lava jato, Leya, RJ, 2017), ao tratar do golpe de 2016 e da ação de nossas classes sociais, lemos:

“a única classe consciente de seus interesses entre nós foi e é ainda a ínfima elite do dinheiro”. “O liberalismo conservador, baseado no falso moralismo da higiene moral da nação, vai ser a pedra de toque da arregimentação da classe média que se cria nessa quadra histórica pela elite do dinheiro”. “Toda a importância do lulismo recente reside aí. Foi com ele iniciado um esforço que, caso fosse levado adiante, redimiria essa classe condenada pelo ódio covarde devotado ao escravo no espaço de poucas gerações”.
Enfim, é a permanente crucificação das classes populares, cujo ódio lhe é votado especialmente pelas frações da classe média, que assumem ser o “capataz da elite do dinheiro de modo a subjugar a sociedade como um todo”.

Pelas redes sociais, por e-mails recebidos, vejo, com preocupação, que se desloca, de um possível acordo contra a efetiva luta de classes, a questão que se tem como premente. Sem pretensão da verdade, reflito:

a – a guerra é instrumento da elite, não conheci caso de guerra popular. Quando muito um engodo obtendo apoio mais amplo. Tanto que já lemos, neste artigo, o exemplo de quem, na Alemanha, ganhou com a I Grande Guerra. Populares são as Revoluções socialmente transformadoras; e muitas vezes, como da Bolívia neste século XXI, sem guerra. Também, se buscarmos os primeiros passos bolcheviques (um bom tema para as festividades dos 100 anos da Revolução) iremos encontrar as greves russas, em 1917/1918, pela paz, obtida, mesmo com perdas, pelo Tratado de Brest-Litovsk. Para os operários, para as massas populares, as guerras sempre representam mais miséria, mais privação, mais dor.
Posso estar vendo outras maldades, mas a violência urbana, que está diariamente, insistentemente, a todo momento ocupando as redes de televisão, os noticiários radiofônicos, as “análises de especialistas”, pode intencionalmente preparar as pessoas para uma violência ainda maior, travestida de salvadora. O Exército já é usado, todo tempo, como polícia; para a guerra civil nem se dará um passo.

b – as manifestações populares sempre possibilitam algum nível de consciência. Mesmo quando reprimidas e derrotadas. Exigir eleições em 2018, exatamente como previstas na legislação em vigor (que se tenta reinterpretar e desfigurar neste judiciário desacreditado) é um imperativo para a conscientização, muito mais do que para a improvável mudança de poder. Manter o povo nas ruas e votando, desde síndico de condomínio a Presidente da República, é dispor de um instrumento de reflexão, de debate, de entendimento, de consciência política, social e  existencial.

Por conseguinte, mesmo reconhecendo os riscos mostrados pela Alemanha dos anos 1920, mas consciente que a história nunca é a mesma, coloco como o objetivos dos que lutam por um Brasil Soberano e Democrático, pela construção do país justo e cidadão para todos, a urgência da defesa da paz e do calendário eleitoral. Vamos para a disputa nas urnas, sem mais fraudes.

Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado 

quarta-feira, outubro 25, 2017

As Ideias Fora de Lugar